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Sobre a final da Taça Guanabara 2008
Flamengo campeão da Taça Guanabara. Ponto. Isso, além de ser incontestável, não pode ser mudado. A vitória do rubro-negro foi valorizada pela bravura dos jogadores do Botafogo, que deveriam ter saído do Maracanã de cabeça erguida, orgulhosos. Mas não saíram. Preferiram protestar de forma duvidosa contra a arbitragem e o resultado da partida. Uma pena.
Não é de hoje que o time da estrela solitária tem uma incômoda mania de atribuir todos os seus problemas, o seu famoso azar (afinal, há coisas que só acontecem ao Botafogo), aos maus árbitros. Toda vez que perde a culpa é do juiz., do bandeirinha, e,se bobear, até do quarto árbitro. É a vitrola quebrada. É a velha tática de se fazer de vítima, de se mostrar prejudicado.
Convenhamos, até cabia o protesto dos jogadores contra o pênalti marcado em Fabio Luciano. Foi falta? Foi. Mas em toda bola parada pingada na grande área, seja falta, lateral ou escanteio, há empurra-empurra, e os jogadores se agarram aos montes. E se a cada empurrão o juiz for marcar pênalti, como bem disse o ex-jogador Júnior, haveria dez penalidades máximas por partida. A questão é: o pênalti existiu e a marcação foi correta. Pronto.
Alguém aí lembra da ajuda que o juiz Carlos Eugênio Simon deu ao Botafogo na Copa do Brasil do ano passado? Pênalti claro a favor do Atlético Mineiro, já nos acréscimos, e ele preferiu não marcar. E o que aconteceu na rodada seguinte ? O mundo caiu ! Botafogo foi prejudicado pela bandeirinha-capa-de-revista Ana Paula. Deu-se a tempestade. De lá pra cá, principalmente, virou rotina o Botafogo se dizer prejudicado por tudo e por todos. Sobre o Simon, alguma palavra?
E, cá pra nós, fazer todos esse escarcéu por causa da Taça Guanabara? Quer dizer que o campeonato acabou? E a Taça Rio? E a verdadeira final do carioca?? Acho que os botafoguenses, mais do que nós rubro negros, se esqueceram que era apenas o primeiro turno. Vem o segundo aí. Tem a final oficial !
Repito: uma pena. Pela partida que jogou no domingo, o time de Cuca não merecia sair do Maracanã com um papel ridículo. O domingo vai ser lembrado pela festa das torcidas, que fizeram arrepiar até o mais insensível dos amantes do futebol. Já o Botafogo deveria ser lembrado como a equipe que vendeu caro o título ao Flamengo. Fica apenas a recordação do chororô pelo leite derramado.
Viva o Mengão !
Escrito por Luiz às 00h20
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Sobre as "zelites"
De volta à realidade depois do Pan.
Comentário interessante do Nelson Motta no blog do Noblat:
"Não estou cansado, estou furioso de ouvir que qualquer crítica a Lula ou ao governo é golpismo, que tudo que contraria as teses e práticas do PT é de direita e que tudo que contesta Marta Suplicy é machismo. Nós não somos tão idiotas assim. Isso me ofende.”
Faz todo sentido.
Escrito por Luiz às 12h19
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Da série: Coisas que eu não entendo
EDITORIAL DA FOLHA DE SÃO PAULO, EDIÇÃO DE SEXTA-FEIRA, 15-06-2007.
O caso Lamarca
"A decisão da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça de conceder a patente de coronel do Exército ao guerrilheiro Carlos Lamarca, morto em 1971 pela repressão, incorre em duplo equívoco. Por conta desse ato, a viúva de Lamarca terá direito a receber pensão mensal equivalente ao soldo de general, além de uma quantia retroativa ao ano de 1988.
O primeiro erro consiste em equiparar a sua morte à de militantes de esquerda torturados e/ou assassinados sob a custódia do Estado, casos em que se justificam as indenizações. Lamarca fez uma opção pela luta armada e pelo terrorismo, com o objetivo de instalar uma ditadura socialista no Brasil. Assaltou bancos, seqüestrou um embaixador e matou agentes de segurança.
A morte em combate -como acabou ocorrendo há quase 36 anos no interior da Bahia- é risco natural para quem escolhe pegar em armas. Por isso o caso de Lamarca não justifica nenhum tipo de ressarcimento da parte de um Estado democrático.
O segundo equívoco cometido pela comissão do Ministério da Justiça foi ter promovido Carlos Lamarca, que deixou o Exército quando era capitão, ao posto de coronel para fins de pagamento de indenização. O pressuposto dessa atitude é que se trata do soldo ao qual ele faria jus se estivesse vivo.
Mas Lamarca foi morto na condição de desertor da corporação. Abandonou a carreira militar, roubando armas e munições de um quartel de Osasco (SP), por iniciativa própria. Não procede, assim, o raciocínio de que a sua carreira tenha sido interrompida por um ato do Estado.
Por tratar-se de um prêmio à deserção, ademais, a equiparação de seus vencimentos ao de um general afronta os princípios de disciplina e subordinação, pilares das Forças Armadas."
O texto fala por mim.
Escrito por Luiz às 01h17
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Sobre a redução da maioridade penal
Nos últimos meses a discussão acerca da redução da maioridade penal tomou conta do cenário brasileiro. Especialmente em Brasília, nas esferas de poder. Executivo, Legislativo e Judiciário ainda não conseguiram chegar a um entendimento único sobre essa questão. Eu, particularmente, também não. Isso porque acredito que existem fortes argumentos de ambos os lados. Entretanto, minha inclinação hoje é favorável à redução da maioridade penal para 16 anos. Explicarei abaixo os motivos.
Os fatores que poderiam me levar a tomar uma decisão contrária à mudança na lei seria o fato de que os marginais passarão a recrutar menores de 16 anos para atuar nos crimes. Isso não é raro de se ver atualmente. Ao contrário, é mais comum do que muitos pensam. Muitas vezes os garotos de 13, 14 anos, já estão influenciados para seguir o caminho “torto”, principalmente aqueles que vivem em favelas, que têm como único exemplo a “resistência” dos traficantes contra os “invasores”- leia-se policiais. Posso atribuir esse fato à falta de estrutura para esses meninos ou à famosa “falta de presença do Estado”, que os especialistas adoram repetir nas entrevistas. Claro, isso realmente faz falta. Por isso é que sou um grande defensor dos grupos de artes, música, esportes nas comunidades carentes. Grupos como o AfroReagee, Nós do Morro, e as Vilas Olímpicas, são fundamentais para que crianças sejam encaminhadas em atividades interessantes. Infelizmente as escolas não oferecem atrativos, como essas iniciativas fazem. Muitos desses garotos que citei, que já estão enveredando pelo caminho da maldade, estão matriculados na escola. Estudam de dia e vão para as ruas a tarde e a noite. Ou trabalham para o tráfico. Ideal mesmo seria juntar com eficiência o trabalho das escolas, dos professores, com as atividades “interessantes” aos alunos, como teatro, esportes, lazer em geral. Essa alegação de que haverá recrutamento dos mais jovens para o tráfico não é leviana. É real. Porém, precisamos mudar alguma coisa de imediato. E o imediatismo mostra que cada vez mais menores de 18 anos estão envolvidos nos crimes. Crimes bárbaros, não apenas os comuns.
“A população está pensando sob o calor dos acontecimentos”, dizem os que defendem a manutenção da lei. Não deixa de ser verdade, mas não condiz com a realidade. Isso porque não foi apenas depois do caso do menino João Hélio que a população passou a aprovar a redução da maioridade penal. E o caso do assassinato de Liana e de seu namorado Felipe, feito com crueldade por um menor de 16 anos que, já com aquela idade, comandava uma quadrilha? Esse caso foi há três anos. E o calor da hora? Acontece que toda hora surgem novos casos com esses citados. Dessa maneira, viveremos sempre pensando “influenciado fortemente pela emoção e revolta”. É claro que sim! Se infelizmente estamos vivendo constantemente dessa maneira, há de se mudar algo. Que se tenha punição para os “menores” de 16 e 17 anos também.
O meu argumento mais forte para defender a mudança na lei é na verdade um contra-argumento. Dizem que com 16 anos não se tem consciência de todas as atitudes tomadas. Ora, então por que é permitido votar com 16 anos? Quem é que garante a validade desse voto? Como uma pessoa que tem oportunidade – e a responsabilidade – de ajudar a escolher, por exemplo, um presidente da República, como esse mesmo adolescente não pode ser preso? A maioria dos jovens de hoje que têm 16 anos fazem as mesmíssimas coisas que os de 18 fazem. Dirigem, bebem, fumam, mesmo sendo ilícito para menores de idade. E também roubam, matam, agridem. Esse é o argumento que mais pesa na minha decisão.
Entretanto, sou favorável à lei que foi aprovada na CCJ do Senado. Se não estou enganado, a proposta é de que o menor passe por avaliação e vá para uma prisão especial. Defendo que o juiz decida se o crime que o menor cometeu é passível de prisão comum – mesmo sendo em uma unidade diferenciada – ou ele será enquadrado na lei que protege os menores de 18 anos. Assim, na minha visão, quem cometesse um homicídio, por exemplo, seria punido com “rigor” (ninguém é punido com rigor no Brasil. Aliás, é sim: o ladrão de galinhas fica preso) e quem cometesse crime de furto, por exemplo, iria para as atuais casas de recuperação. Essas casas, aliás, precisam ser recuperadas. Hoje servem apenas como uma fábrica de futuros (ou nem tão futuros assim) marginais perigosos.
Defendo que a lei seja mudada nesse ponto e por causa desses argumentos listados. Simplifiquei, aqui, para dar um resumo do que penso. Que se mude a legislação, mas que ela valha para todos, menores ricos e pobres, pretos ou brancos. Infelizmente a cada dia me convenço mais de que as prisões brasileiras foram feitas para pretos e pobres. A redução da maioridade não trará grande alteração no panorama da violência brasileira. Mas já é o primeiro passo na direção de ser aumentado o rigor das leis no Brasil.
Ps: Penso que uma das causas da violência atual são as leis, ou melhor, a flexibilidade que ela muitas vezes dá. Aliás, não só da violência como da corrupção também. A impunidade dá guarida a tudo isso. É um ciclo. Pretendo abordar esse assunto em breve.
Escrito por Luiz às 21h18
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Sobre Crises Aéreas - parte 2
Pois nossos controladores de vôo resolveram dar as caras - e as cartas - pro país. Tudo após terem sido apontados como possíveis co-responsáveis pelo acidente entre o Legacy e o Boeing da GOL. Aí resolveram mostrar suas condições de trabalho, sempre no limite, as disparidades nos salários, a falta de pessoal capacitado, os problemas nos equipamentos. Justo. Justíssimo. Mas só até começarem a prejudicar os cidadãos que nada têm a ver com isso. Obviamente, os protestos que os controladores vinham fazendo eram maneiras de fazer pressão sobre seus superiores – militares e civis – e chamar atenção da sociedade para seus problemas. O problema é a maneira e a proporção que essa forma de pressão atingiu, prejudicando milhares de pessoas de todo o país. Claro que não podemos atribuir aos controladores a culpa pelos problemas nos aeroportos e equipamentos país afora, principalmente em São Paulo e Brasília, que, misteriosamente, tornaram-se rotineiros. Até um radar que nunca dera problemas técnicos resolveu pifar justamente em um período de tensão aérea. Será que foi só coincidência ? É difícil acreditar, mas por enquanto continua sendo só mero acaso. Repito que esses problemas não podem ser atribuídos exclusivamente aos controladores, já que não há provas – nem muitos indícios- para isso. Mas a greve estourada pelos controladores na última sexta-feira fez com que, como bem disse o jornalista Ricardo Boechat, a população, que antes até poderia estar apoiando as reivindicações dos controladores, passou a aponta-los – e dessa vez, com razão – como vilões da história.
Acredito, sim, que eles foram “irresponsáveis”, usando um termo que Lula usou depois de recuar no tratamento dos controladores. Mas eles não são os únicos vilões. Todos os responsáveis pela aviação no país, aí incluem Aeronáutica, Planalto, Ministério da Defesa, Controladores de Vôo, Anac, Empresas Aéreas, são vilões da história. E o mocinho sofredor, mais uma vez, os passageiros ou população afetada direta ou indiretamente pelos efeitos das paralisações e problemas nos aeroportos.
Em relação à greve do dia 30 de março, houve clara quebra de hierarquia. Talvez pra quem seja de fora do meio militar fique difícil entender como funciona uma hierarquia, ainda mais a militar. Quando se ingressa nas Forças Armadas – ou qualquer outra instituição militar: bombeiros, PM – há de se conhecer as regras. E aceitá-las. Caso contrário, não servem à função. Dentre essas regras está a hierarquia, tão prezada no meio militar. Não digo que seja justa, porque em muitos casos realmente não é, mas são as leis do jogo. Dessa maneira, sargentos, que na hierarquia militar são de patente bem menor do que generais, por exemplo, não poderiam sentar-se à mesa com o Ministro da Defesa para discutir os planos de carreira. Não sem que os superiores da FAB ou estivessem presentes à reunião ou pelo menos tivesse sido informados anteriormente e autorizado o encontro. Isso é quebra de hierarquia. Alguém já viu militar fazer greve ? Não, porque não se pode fazer greve nas forças armadas. Dê-me um exemplo de algum exército no mundo que tenha feito greve para reivindicar melhores condições. Se existem, são raríssimos os casos. Alguém se lembra quando há dois anos as mulheres de militares faziam protestos e mais protestos pedindo aumento dos salários de seus maridos? Pois é, elas podem fazer – eles não. Os que resolvem fazer motins são passíveis a punições. Portanto, quando o comandante da FAB ordenou a prisão dos amotinados, ele estava cumprindo o seu papel enquanto chefe da Aeronáutica – ou seja, mantendo a disciplina. E os sargentos, se presos, não teriam como alegar que não sabiam dessa possibilidade. Saberiam sim. São as regras do jogo em que são jogadores. Por isso, acredito que eles devem ser punidos pelo Ministério Público Militar. Regras são regras. Quando o presidente desautorizou a ordem do comandante da Aeronáutica correu o risco de “patrocinar” não só a quebra de hierarquia como de disciplina. Perdido como sempre, Lula resolveu voltar atrás, chamando os controladores de irresponsáveis e defendendo punições. Talvez, por ele próprio, os grevistas nem deveriam ser punidos. Mas ele não manda na Justiça. Nem na civil, nem na militar.
O que esperar disso ? Não espero muita coisa. A mesma ladinha de sempre: vamos melhorar, vamos equipar as forças armadas, reforçar o treinamento e contratação de pessoal especializado em controlar vôos, vamos dar aumentos, vamos demitir responsáveis, vamos pedir CPIs , blá blá blá. O mesmo disco arranhado, como em todas as crises. E cadê minha esperança das coisas melhorarem ? Não sei, foi-se embora. O jeito é continuar na mesma, esperando assistir ao desenrolar das cenas dos próximos capítulos – ou das próximas crises.
Escrito por Luiz às 15h03
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Sobre Crises Aéreas - parte 1
Depois de toda essa confusão envolvendo o setor aéreo do país, minha conclusão é semelhante a do Boechat: antes do acidente do com avião da Gol em setembro de 2006 tudo andava às mil maravilhas nestas terras, certo ? Bastou cair a aeronave, o jornalista estadosunidense dizer que voar no Brasil é um risco e - pronto! - fez-se o caos. Será que tem dedo da CIA nessa história ? Circulou um email na internet que dizia que o acidente com o vôo Manaus-Brasília da GOL não passava de um "abatimento", ou seja, foi de propósito. O texto dizia que dentro do avião estavam cientistas brasileiros que tinham descoberto como gerar energia através de fungos (!!!!!!!!!), ou algo do tipo. A justificativa para haverem militares no vôo era que eles estavam justamente protegendo, escoltando esses pesquisadores brasileiros, já que estes carregavam um grande - e secreto - projeto para o desenvolvimento de tecnologia nacional. Um americano estaria entre os mortos, mas o nome dele não teria sido divulgado. Pois, ora bolas, justamente esse americano levava consigo uma bomba ! Bomba esse que, obviamente, ele explodiu e fez cair o avião. O Legacy teria sido "plantado" no local do acidente. Todos os integrantes do jatinho estariam à serviço dos EUa, incluindo o jornalista do NYT, que alarmou (ao mundo) sobre os perigos de se voar (em certas regiões) no Brasil. Viu que explicação mais óbvia ? Como você, leitor, não tinha pensado nisto antes ? Dizem que os americanos contra-argumentaram que na verdade foi um integrante da Al-Quaeda, da base da Tríplice Fronteira (Pagaraguai - Brasil - Argentina) que explodiu o avião. Dizem né ... Resumo da ópera, ou melhor, do samba do aviador doido: a CIA está por trás do apagão aéreo !
Meus caros, de toda essa palhaçada (viva a internet e suas lendas incríveis) que escrevi, só uma coisa é séria: a crise só veio à tona depois do acidente. Isso é um problema grave. Quantos mais acidentes graves terão de ocorrer em vários setores (públicos ou não) para que as atenções sejam voltadas para o setor ? Há um ano o problema nos aviões era da VARIG, jamais pensariam em controladores de vôos. Aliás, há um ano perguntariam: quem são controladores de vôo ?
Escrito por Luiz às 17h48
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Da série : Coisas que não entendo.
A pergunta que não quer calar: por que cargas d'água esses "estudantes" que tanto protestam contra o Bush no Brasil, não vão fazer algo melhor ? Que seja um protesto, mas por uma outra causa. Por que não vejo essa mobilização desses mesmo estudantes em causas mais importantes, como protestar contra a impotência diante da violência por parte das autoridades, ou contra o preço do leite, que vai subir mais uma vez ???
Escrito por Luiz às 16h29
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Tristeza rotineira
Realmente é muito triste, triste e chocante o que nós vemos no dia a dia das grandes cidade e, falando especificamente, do Rio. Mas, como bem disse o Willian Waack no Jornal da Globo de quinta feira, é preciso um fato muito mais bárbaro para comover um povo que já se acostumou a (sobre)viver entre essas atrocidades. E este fato, como todos já sabem, foi a morte do pequeno João Hélio. Bárbaro, chocante, revoltante, comovente.
Reproduzo aqui as palavras de Tereza Cruvinel, que em seu blog http://oglobo.globo.com/blogs/tereza/ publicou um texto com o qual eu me identifico completamente. Ela escreveu mais ou menos o que eu pensei ao ver, na minissérie Amazônia, a cena em que uma onça leva um bebê da mãe e o devora.
O onça e os bichos do Rio
"Eu também, como disse um de vocês, pensei o dia todo pensando nesta monstruosidade que aconteceu no Rio: os sujeitos foram capazes de arrastar uma criança de seis anos como se fosse um fardo,um saco de batatas, e ao longo de sete quilometros. Não há nome para isso senão bestialidade. Pensei o dia todo na dor desta mãe. Ter um filho trucidado por fascínoras, por conta de nada, só porque tinham muita pressa de sair correndo no carro sequestrado. E ainda fizeram zigue-zagues, tentando se livrar do corpo do menino preso ao cinto de segurança! Não dá. É muito desrespeito para com a vida dos outros.
Esta semana vi a semana da mini-série Amazonia em que a mãe se desespera - não sei o nome da atriz mas atuou muito bem - porque a onça levou-lhe o filho. Não aparece a cena mas a onça comeu a criança. Horrível, mas onça é onça. Estes do Rio, o que serão? Gente é que não.
Não dá. Alguma coisa precisa ser feita e não pouca coisa não. O Estado precisa renascer, recobrar o controle sobre esta situação. "
O pior dessa história toda é saber que não foi, não é, nem será o último crime bárbaro, a última vítima da violência galopante na minha cidade. Triste rotina.
Escrito por Luiz às 17h34
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Circo Voador
Alguns anos atrás, ainda molequinho, lembro de ter ouvido falar alguma coisa sobre o fechamento do Circo Voador. Tudo bem, eu já não era tão pirralho assim a ponto de imaginar um circo alado, com palhaços flutuando etc... Mas eu não sabia o que era aquilo. Lembro dos muitos protestos contra a prefeitura do Rio. Dei de ombros.
Anos mais tarde vi a prefeitura anunciar que estava devolvendo o Circo Voador à cidade e nesta época eu já sabia o que o Circo tinha sido para uma geração, principalmente a dos anos 80.
Hoje, mesmo não podendo freqüentar sempre o Circo Voador, tenho a certeza de que foi uma grande iniciativa do governo em devolver aquele espaço, muito charmoso, a nós, cariocas. A programação é bastante variada, atende a todos os gostos e tipo de público e eventos. Essa semana estive lá mais um vez para uma noite muito divertida e agradável, assim como já tinha sido nas outras vezes. Apesar da sauna em que se transforma a pista, embaixo da "lona" (estrutura), em dias de muito calor e casa lotada, como no show do Caetano, nada tira o charme da casa. E tudo ali na Lapa, com aquela sensação irresistível de boemia.
Em tempo: A programação de Verão do Circo Voador está de arrasar ! Muita coisa boa. É realmente uma pena não poder ir a todos os eventos.
Vale a pena conferir no site do Circo: www.circovoador.com.br
Escrito por Luiz às 16h23
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Manchete no portal UOL : "Filme premiado mostra Brasil violento e corrupto"
Link para a notícia http://noticias.uol.com.br/bbc/2007/01/28/ult2363u9238.jhtm
O título reporta a uma matéria sobre o documentário Manda Bala, escolhido como o melhor documentário do Festival de Cinema Sundance, nos Estados Unidos.
Claro, parabéns ao filme, que também levou o prêmio de melhor fotografia. Mas até quando a grande maioria dos filmes produzidos no país vão exaltar as mazelas do país ? Atenção, eu não estou dizendo que essas mazelas - fome, pobreza, corrupção, desigualdades sociais - devam ser escondidas, varridas para debaixo do tapete. Pelo contrário, devem ser, sim, mostradas. Mas não apenas elas. Acredito que há filmes que conseguem tocar nesse ponto sem se deixar levar pelo, exagerando um pouco, "sensacionalismo". É o caso de "O Auto da Compadecida", que apesar de tocar em várias mazelas nacionais, não se deixa levar apenas por esse lado e traz muito humor. Acho que precisamos de mais filmes que exaltem nossas qualidades, porque nós temos muitas coisas boas, sim. Ou então, pelo menos continuar a seara de filmes que não esquecem os problemas do cotidiano, mas mostram outro lado da moeda. Afinal, tomando o Rio de Janeiro como exemplo, sabemos que a violência infelizmente impera na cidade. Sim, mas o carioca se adapta e continua a levar sua vida - com restrições, é claro - mas vai levando. Está mais do que na hora de nosso melhores filmes, os reconhecidos internacionalmente e os sucessos de público de de crítica mostrem um Brasil com problemas, mas enfatizem o lado humano e alegre desse povo brasileiro. Sofredor, mas feliz.
PS: Obviamente que não são todos os filmes que mostram essa temática pessimista do país. Mas que existem muitos, isso existem.
Escrito por Luiz às 16h14
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De volta, ainda com um certo bloqueio mental, provável resultado das férias, que me impede de transcrever idéias articuladas nessa cabeça que gira, gira e gira ...
Vou postar um notinha curta, apenas para ressaltar como é bom ver boas iniciativas das empresas neste país. Hoje peguei o metrô e, enquanto minha cabeça fervilhava de pensamentos, bati o olho no que parecia ser mais uma anúncio publicitário. E era. Só que era institucional, do próprio metrô. Dizia algo do tipo "Em vez de ler anúncios, por que não lê um livro?" E anunciava a criação da biblioteca do metrô, na estação Central do Brasil, onde passageiros poderiam locar livros gratuitamente mediante registro. É esse o caminho !`Estamos precisando de mais iniciativas boas como essas. Por mais que grande parte da população que diariamente usa o metrô vá continuar sem dar um pulinho na Livros e Trilhos, nome do projeto do metrô, com absoluta certeza alguns irão lá. E propagarão a idéia. E assim, de pouquinho em pouquinho, vamos aumentando nosso número de leitores.
Aí alguém diz, pode ser eu mesmo: "Mas o povo não gosta de ler". É verdade. Entretando, há ressalvas. Certo vez, dias após a morte do escritor mineiro Fernando Sabino, fui a um sebo no centro do Rio. Coisa comum, rotineira. Ao passar os olhos pelos livros do escritor, percebi que tinham poucos exemplares. Nisso, um senhor que provavelmente deve trabalhar (ou ser dono) no sebo disse pra mim: "E ainda dizem que ninguém lê no nosso país. Olha só, depois que ele (Sabino) morreu quase não restaram mais livros dele". Concordei com o senhor. A partir daquele dia passei a reparar nos leitores do cotidiano, na quantidade de pessoas que lêem jornais, livros, revistas. E, acreditem, não são poucos. Jornais ganham disparado, mas eu passei a notar naqueles que liam livros. E me espantei com o fato de que não é mais tão raro assim achar leitores de livros. Não importa se são best-sellers ou livros de bancas de jornal. O que importa é que, mesmo sendo poucos, ainda conseguimos manter leitores. Que sirvam de exemplo para as gerações futuras.
Ps: Eu tenho compulsão por comprar livros. Tudo bem, não é compulsão, mas sinto um prazer enorme com a sensação de poder carregar um livro pra casa. Seja locado ou comprado. O que me detém é o dinheiro. Ou melhor, a falta dele, já que livros são artigos de luxo no nosso país. Infelizmente.
Escrito por Luiz às 00h42
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Quem é a vítima ?
Engraçado como são as coisas por estas terras. Ontem, depois do impacto da notícia do assalto à presidente do STF, ministra Ellen Gracie, na linha Vermelha, foi levantada a questão de que a ministra não estava com escolta da polícia federal. As declarações a respeito do tema foram dadas pelo secretário de segurança do RJ, Roberto Precioso. Ou seja, pra resumir: a história oficial é que Ellen Gracie, acompanhada de outro ministro, foi assaltada, logo após chegar ao Rio, por bandidos armados que fizeram uma espécie de "arrastão" e levaram dois carros e pertences pessoais das vítimas. A escolta dos ministros, formados por seguranças armados não conseguiu evitar o assalto. E a versão que o ilustre secretário quer passar é a seguinte: A ministra Ellen Gracie, presidente do STF e maior representante do judiciário no país, a quinta pessoa na hierarquia para assumir a presidência da República na ausência do presidente, chegou ao Rio de Janeiro e não solicitou escolta da Polícia Federal. Como conseqüência, foi assaltada na linha Vermelha. Bem feito, quem mandou não estar com a Polícia Federal ???
Ora bolas, a questão é essa. E nem podem transformá-la nisso. A questão é: seja a presidente do STF ou o cidadão mais comum, lá do canto do Rio, todos deveriam ter o direito assegurado de andar pelas ruas do Rio - mas principalmente em uma via expressa tão importante - seguros. Parece que se esqueceram disso. Aliás, parecem não, eles se esquecem. É tão mais fácil falar "Não saiam de casa à noite!" ou então "Se uma autoridade vier ao Rio, solicite ajuda da Polícia Federal", do que efetivamente implantar políticas mais eficientes para a segurança da população.
Infelizmente, a ministra só experimentou algo que já fez, faz, ou fará parte do cotidiano de vários cariocas.
Triste constatação.
Escrito por Luiz às 01h54
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Voto de confiança
Eu não votei no Sérgio Cabral. Pensei que, caso votasse nele, estaria votando na continuidade do governo Rosinha Garotinho. E eu não entendi como um povo que reprovava o governo Rosinha vota justamente no candidato dela a sua sucessão. Bom, espero que eles saibam o que fazem. Eu não sou daqueles que torcem contra, por isso estou dando meu voto de confiança para o Sérgio Cabral. Ele o terá por um ano, até dezembro de 2007. Suas movimentações pré-posse já me deixaram satisfeito. Como bem lembrou um leitor d’O Globo, em uma carta enviada à redação, ele está se mexendo muito mais na busca de entendimento para o estado do que vários governadores que passaram pelo Palácio Guanabara. Espero, sinceramente, que ele tenha toda essa disposição já mostrada, apoiado por um forte sentimento de mudanças no estado e confiança no seu nome, que o novo governador consigo fazer esse Rio melhorar saúde, educação e violência. Se conseguir pelo menos fortalecer um desses itens, já terá feito muito. E o desafio não é pouco.
PS: Será que só agora o povo se deu conta que elegeu a continuidade do Garotinho , depois do governo levar ao ar essa campanha ridícula: “Valeu, você aprovou”. Esses Garotinhos não são fáceis.
Escrito por Luiz às 00h12
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Ah no meu tempo ....
Eu sou apaixonado pelo Rio de Janeiro, e isso não é novidade para ninguém. E, mesmo os que têm inveja dos cariocas – ou simplesmente não gostam de nós, devem estar preocupados com a situação pela qual o Rio vem atravessando há vários anos. Diante dos últimos casos – graves – de violência na cidade nas últimas duas semanas, os jornais passaram a denominar essa seqüência de casos como “surte de violência”. E eu fico a me perguntar, por que cargas d’água é denominado “surto”, se a violência, como todos estão cansados de sabem, é problema endêmico na cidade, assim como a dengue no verão ? É claro que os jornais fizeram estardalhaço pela morte da empresária num sinal de trânsito do Leblon. Claro, foi alguém da high society que foi atingida, da forma mais trágica, pela violência. E, obviamente, foi no Leblon. Não tiro a razão da cobertura dos jornais. Para mim parece óbvio que, se alguém aparece nas colunas sociais, sua morte trágica vai ser destaque de primeira página. Diferentemente do zé ninguém, do suburbano, ou mesmo de alguém da classe média que morrem diariamente vítimas do mesmo tipo de violência. Por que o surto de violência só começou quando estourou (mais um) caso no Leblon? Não, não, o surto não começa aí. Caso contrário não existiriam capas de revistas, da Veja, por exemplo, desde a década de 80 dizendo que a cidade estava dominada pelos bandidos. Será que aquela época era melhor do que a atual? Hoje dizemos sim. Amanhã diremos que hoje era muito melhor. É assim que caminha a sociedade, sempre com saudosismo de tempos que não voltam mais....”Ah, no meu tempo que era bom....”
Escrito por Luiz às 00h11
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Faroeste Caboclo I
Há uns dez anos, nesse mesmo outubro, época da morte de Renato Russo, eu já o conhecia. Ele, o artista Renato e suas recentes músicas em italiano. Mas não conhecia muito bem sua banda, a Legião Urbana. Passado alguns anos, minha irmã comprou um cd de nome "Mais do mesmo", um coletânea com sucessos do Legião. E foi a partir dali que conheci os sucessos Eduardo e Mônica, Pais e Filhos, Índios, e, para mim, o maior clássico da banda: Faroeste Caboclo. Ela me chamou a atenção não apenas pelo fato de ter duração alongada para uma simples música, mais de nove minutos. Mas porque ela narrava uma interessante história. Com o passar do tempo e o meu amadurecimento, percebi que aquilo dali não era uma simples música. Era uma história da vida, sob forma de música. A história de João de Santo Cristo, que sai da vida sofrida no interior do nordeste para tentar uma vida melhor na capital federal, é a síntese de milhares de histórias brasileiras e retrata a realidade nas grandes cidades do país. Tudo se traduz no último verso da música, que diz o seguinte: "Ele queria era falar pro presidente pra ajudar toda essa gente que só faz sofrer". Gosto muito também de um verso que diz: "Se a via-crucis virou circo, estou aqui".
Não sou fã incondicional da Legião. Apenas gosto de algumas músicas, especialmente as do CD Mais do Mesmo. Fica aqui, nesse aniversário de morte de Renato Russo, a história, ou melhor, a música Faroeste Caboclo, uma de suas obras-primas, se assim posso dizer.
Escrito por Luiz às 01h13
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